quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Burocracia

A primeira coisa que você precisa saber se quer morar na Espanha é: a burocracia espanhola é pior que a brasileira, e daí você tira...

Sabe a presunção de inocência, que todo mundo é inocente até que se prove o contrário e tal?! Na Espanha, para todos os órgãos administrativos, universidade, hospital ou o que seja, você está ERRADO até conseguir provar o contrário. O que vai te trazer muita, mas muita dor de cabeça.

Veja, não importa se você passou um ano planejando sua viagem, checou todos os papeis e seguiu todas as instruções... eles vão dizer que alguma coisa está errada. E daí pra você provar que fez tudo certo, colega, é força no espanhol, nos argumentos e na paciência, o que é mais importante.

Então o importante é checar toda e qualquer informação, prestar atenção nos prazos e rezar pra dar tudo certo. Ah, uma coisa que espanhol segue bem à risca é o tal do prazo. Se ele te diz que segunda, às 10h15 da manhã seu documento vai estar pronto, pode confiar e chegar lá às 10h.

O primeiro mês (e até agora a metade do meu segundo também) é o mês da burocracia, principalmente se você vem pra passar mais de 06 meses, como eu. Nesse caso, você precisa se registrar como residente na Oficina de Extranjeros da sua cidade. Se você vem pra um intercâmbio de 06 meses ou menos, só o visto já vai resolver sua vida (amém).

Aqui em Valladolid a Oficina de Extranjeros ou Extranjería fica na Calle Antonio Lorenzo Hurtado. Lá você dá entrada no seu NIE (Número de Identificación de Extranjeros) munido dos seguintes documentos + cópias:
- Passaporte e visto;
- Carta de Aceitação e comprovante de matrícula da Universidade;
- Justificação de meios econômicos;
- Seguro médico válido para todo o tempo em que estiver no país;
- Muita paciência.

Mas aí sabe o que você faz? Leva tudo isso ai que eu te falei separadinho com as cópias, mas leva também todos os outros documentos que você tiver na vida com você na Espanha, só pra garantir.

Toda a documentação tem que estar traduzida para o espanhol (eles exigem que seja por um tradutor juramentado na Espanha ou pelo Consulado Espanhol do seu país).

E aí começa a minha saga. Fui para a Extranjería 2 dias depois de chegar na Espanha (você tem 03 meses pra dar entrada nesse processo, mas faça o quanto antes!). Cheguei relativamente cedo, peguei a ficha e esperei, esperei e esperei. Até que me chamaram. Apresentei a documentação, que incluía minha carta, em português, que comprova que eu recebo uma bolsa para me sustentar aqui. Já vem aquele "isso está errado, tem que ser em espanhol..." enquanto eu pegava minhas coisas pra ir embora, o rapazinho simpático decide que tá certo, português e espanhol são primos-irmãos e que ele vai aceitar minha carta assim mesmo. Me dá uns papeis, diz que eu tenho que pagar uma taxa e esperar que vai chegar uma carta na minha casa. Ok, beijo, tudo certo ne?! Não amoreco. Você (eu no caso) corre pro banco pra pagar a taxa e esperar a carta em casa, que deve chegar entre 1 e 3 meses depois do começo do processo. Passou um mês e meio e nem notícia, aí eu você estranha e vai lá saber o que está acontecendo, além de tirar mais umas dúvidas de uns trâmites que você precisa pra ontem, e descobre que seu processo nem começou porquê você não voltou lá pra entregar o comprovante de pagamento da bendita taxa de 16,32 euros.

GENTE? Voltar lá pra entregar um comprovante de pagamento? É isso mesmo? E aquela coisa de dar baixa online, não rola não?! Tá, que seja, mas ninguém te disse que você tinha que voltar lá... nessa hora bate aquele desespero lindo.

Tá, voltei lá pra entregar o bendito comprovante e ai me dizem que a minha carta de "meios financeiros" está em português e teria que ser em espanhol, e como que eu não sei disso e bla bla bla... até que "ah não, essa carta a gente pode realmente aceitar..." depois de você escutar meia hora de pura bronca por NADA. E pensa que vem um perdona do outro lado? Nada, querido, agradece a gentileza e segue seu rumo. Eles sempre se enganam e a culpa é sua, aparentemente.

Então, voltem lá com seus comprovantes de pagamento ou perguntem muitas vezes a mesma coisa, até terem certeza de que estão fazendo tudo certo. Não fiz nenhum dos dois e agora tô passando o maior sufoco.

E aí é só esperar. A carta chega na sua casa e você vai na Comisaria de Policia, com duas fotos 3x4 e seu passaporte dar entrada em mais um processo. Depois de um mês, você já pode ir buscar sua carteira de residente. 


FIM!


Estudante sofre ne? Quero a minha mãe e meu namorado. Pode ser?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A vida por aqui...

Aos que têm me perguntando se “eu nunca mais vou escrever no blog” meu mais sincero lo siento. Não escrevi esse tempo todo por falta de idéias pra posts, mas por pura e simples falta de tempo e preguiça. Veja, falta de tempo já é um motivo aceitável pra não dar as caras, mas quando junta isso com a preguiça de colocar as idéias no lugar, a coisa fica fatal.

Eu sou meio metida a abraçar o mundo com as pernas e realmente acreditar que eu sou capaz de fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas quem inventou isso de fazer mestrado tava completamente fora de si. Vim pra Espanha com o único intuito de estudar, o que, pra mim, significa pagar 60 créditos distribuídos em 29 asignaturas entre setembro e maio, além de escrever e defender uma dissertação até agosto, no máximo, e to aqui pensando como isso vai ser possível. Subestimei lindamente o poder de te enlouquecer que tem um mestrado. E cá estou, com unhas por fazer, uma pia de louça pra lavar e, no mínimo, no mínimo, 7 itens na lista de coisas a fazer.

Muita gente tem me perguntado se eu estou gostando do curso e da vida na Espanha e a resposta vem fácil: sim! O Master en Integración Europea é muito interessante e aborda, na maior parte das vezes, questões do Direito, o que me encanta. Mas como tudo na vida, tem o lado ruim: as aulas intermináveis de economia, por exemplo, ou o ritmo maluco de trabalhos, análises e afins que tenho para entregar toda semana.
Mas vou levando. A meta é ter a dissertação pronta até julho. Será que dá?!

E quanto à vida na Espanha, tenho gostado mais a cada dia. Vim preparada pra encontrar vallisoletanos mal humorados e sem disposição pra ajudar uma brasileira que fala um espanhol primo-irmão do portunhol, e me deparei com uma gente bem simpática que sempre tem alguma coisa boa a falar sobre o Brasil. No quesito cultura geral, geografia e política, os espanhóis dão um banho de conhecimento nos americanos. As únicas perguntas estúpidas estranhas, digamos assim, que me fizeram desde que cheguei em Valladolid sobre a vida no Brasil partiram de uma americana. Não, nós brasileiros não andamos nus nas ruas. Não falamos português porque achamos que os portugueses são mais legais que os espanhóis e sim por causa de uma coisa chamada Tratado de Tordesilhas, que dividiu o mundo ao meio, lembra?! Pronto, esse mesmo. E por aí vai. Sentiu? Tremeu de medo e vergonha alheia? Pois é.

Além disso, o fato de você viver numa cidade (sabiam que Valladolid é cidade e Madri é vila? Ponto pra Valla!) fundada em 1500 e pouquinho faz a vida por aqui ter um ar especial... (Tenho um monte de fatos curiosos sobre a cidade pra contar. Prometo pra um próximo post). E no mais, você está na Europa (olhos brilham) e ta perto de tudo aquilo que sempre quis conhecer. Agora, só falta que as cias. aéreas de low cost (<3 Ryanair) baixem mesmo esses preços pra você ganhar esse mundo de meu Deus.

Como nada é perfeito, tem também o brrrr frio e essa saudade que não passa...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Primeiros dias: Caos!


E eu que pensei que as coisas seriam tranqüilas hein?! Ai ai, tolinha. Enfim, consegui um tempo pra escrever sobre esses primeiros dias de puro banzo caos! Mas primeiro de tudo, as coisas estão indo bem e eu estou com muita saudade levando!

Bom, a viagem começou com aquela dor no peito da despedida, mas fiz questão de fazer com que tudo fosse rápido, assim não se sofre de prestação. Entrei na sala de embarque chorando como um bebê, nada além do esperado. Já na minha passagem pela Polícia Federal de Recife, me perguntaram um milhão de coisas do tipo: destino da minha última viagem internacional, data, em que aeroporto eu cheguei no Brasil, enfim, não sei qual foi o critério pra me fazer a sabatina já que ninguém mais passou por isso. Ou eu sou muito muito parecida com uma bandida procurada ou então eu dei a sorte (oi?) de receber mais atenção. De qualquer forma, passei no primeiro teste. Ponto pra mim!

Ai vem o capítulo “Iberia”. Jurei que era um super avião, com televisãozinha individual e tudo mais... só pra ter uma grande decepção. Avião velho, comissários não muito simpáticos (sobre isso falo jaja no capítulos “Espanhois”) e banheiro estilo cabine química de show. Entonces, depois de uma hora de atraso por problemas técnicos (ui!) decolamos e a viagem de 07h30 foi tranquila. Mas não preguei o olho um só segundo. Passei o vôo com uma alergia daquelas e a cabeça foi longe... Na chegada ao Aeroporto de Madrid (enorme!!!!) mais uma espera para taxiar até que finalmente chegamos.

O Aeroporto Barajas em Madrid, é, realmente, enorme, mas não tem porque se preocupar. É tudo muito bem sinalizado e caso você seja daqueles que não se liga em placas, basta seguir o fluxo. Garanto que não se perde. Logo na saída do vôo se passa pela primeira checagem de passaporte pela PF da Espanha. Faz uma cara bonitinha, capricha no “Buenos dias” e ya está.Passou. Eles raramente perguntam alguma coisa a alguém. Daí você segue o fluxo e chega na alfândega. De novo, basta rezar pra não ser o escolhido. O cara na minha frente passou por um questionário que Deus me livre. Pra mim só sobrou o bom e velho Hola, Señor. Buenos dias e pronto: passaporte carimbado! Não tem problema com bagagem, a não ser que você entre na fila de quem tem alguma coisa a declarar. Se não tem nada a declarar, o portão de saída é enorme e lá vai você, feliz na Espanha.

Tivemos a sorte de ter gente nos esperando já no Aero, que nos trariam para Valladolid. Sunamita e Phillipe são estudantes brasileiros que também têm bolsa do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação e já estão aqui há alguns anos fazendo o curso de Engenharia Química. Então, de Madrid para Valla você tem duas opções: pega um ônibus no aeroporto mesmo que vai te trazer direto para Valladolid. Custa em torno de 12,00 Euros. A vantagem é: você não tem que arrastar sua mala por canto nenhum. Entrou, sentou, chegou. O problema é que você só chega 3 horas depois. Como pra mim, inquieta por natureza, esperar 3 horas sentada, tendo um monte de coisa pra resolver é bem impossível, eu resolvi pela segunda opção. Taxi para a estação Chamartín e de lá trem para Valla. Fomos de Avant, a passagem custou 23,70 Euros e a viagem durou 1 hora. Pode comprar passagens no site da Renfe.O trem é bem rápido, faz uma única parada de cinco minutos em Segovia, as poltronas são mais confortáveis que as do avião e o banheiro para deficientes (mas todo mundo usa, ta?) parece uma nave espacial. 

Dai quando chegamos em Valla, pegamos um taxi par o Hostal em que ficamos. Pelo que entendi, Hostal é uma coisa entre Hotel e Albergue. O nosso, Hostal Paris, estava mais para Hotel. Indico! O quarto que ficamos é bem pequeno mas é como quarto de hotel mesmo. Bem limpo, camas confortáveis e banheiro limpinho e bom. Super bem localizado no centro da cidade, teve como ponto contra o fato de não oferecer café da manhã. A diária por noite, por pessoa, ficou em volta dos 25 Euros. Staff simpático e disposto a ajudar gente perdida. Yay!

Tomamos um banho, deixamos as malas e fomos bater perna. Eu, Renata (compli) e Phillipe. Paramos para almoçar Kebab, uma comida turca bem comum por aqui. Escolhi o “modelo” de frango com cordeiro, tirei foto fazendo kebab e ganhei batata frita de cortesia. Paguei 5 euros. De lá fomos conhecer alguns pontos da cidade e pegar os números de alguns pisos (apartamentos). Cheguei em Valladolid por volta das 14h e já às 17h tive a minha primeira aula, o que merece um parágrafo a parte.

A Universidad em que vou estudar é l-i-n-d-a. Minha primeira aula foi de um Módulo de Introdução a Economia. Balela. Já tinha visto tudo na Facul. Então concentrei no espanhol SUPER rápido do professor. Jesus, não pode falar mais rápido não?! Deram o play nesses espanhóis e eles so param de falar quando estão sem ar. Juro como eles tem a habilidade de falar 50 palavras em 3 segundos. Incrível. Então lá estava eu, prestando muita atenção pra pegar o espanhol do professor, quando vem aquele sono incontrolável, sabe? O espanhol virou música de ninar, tentei prestar atenção em qualquer coisa, no quadro, no chão, no papel na minha frente, nas minhas mãos, mas os olhos estavam daquele jeito que se fecham quando você dá a menor brecha. Comecei a escrever qualquer besteira pra ver se voltava a ter controle sobre mim, mas o corpo tava pedindo arrego. Dormi Pesquei enquanto escrevia uma frase, que ficou sem nenhuma lógica, claro. Gente? Ai, depois que pesquei, o professor deu uma risadinha. Nunca vou saber se foi porque me viu pescando ou se tinha feito uma piadinha e eu perdi. Que seja. Acabou a aula dele e veio a segunda professora, do módulo de Introdução a União Europeia. Se eu achava que o Prof. Jesus (sim, o nome dele é esse mesmo) falava rápido, essa daí (cujo nome ainda não consegui decobrir... veja bem...) tinha tomado arrebite. A criatura falou mais de UE do que eu já havia visto na minha vida toda. E olhe que eu tive uma cadeira na Facul só pra isso... anotei feito louca e o sono fez o favor de sumir.
A aula acabou às 21h. Nessa altura, eu tava só o pau da placa. Mortinha da Silva. Dormi lindamente pra acordar as 08h do outro dia e encontrar um apartamento pra ficar.

Ô coisa que deixa a pessoa aperriada é isso de não ter um lugar certo pra ficar, viu? Valladolid é cidade universitária, e recebe MUITOS estudantes estrangeiros, então sempre tem anúncio de piso para alugar. Pegamos um monte desses e ligamos e ligamos. No fim do mês de setembro, as opções já são bem menores, pois a maioria dos estudantes já chegou aqui em agosto. Então estávamos com mais um ponto contra. Visitamos 3 pisos e, de impulso, resolvemos ficar em um. Quando vi pensei que era bom, mas não sei onde estava com a cabeça. O piso era muito bem localizado, a 3 minutos da Universidad, mas estava no 4º andar de um prédio sem elevador, que fica em cima de vários bares. Dois dos quartos não tinham calefación, o banheiro tava meio acabado, as coisas da cozinha não eram láááá uma Brastemp. Além de tudo, os quartos estavam bem caros. 195 euros + todos os gastos de luz, água, gás, etc. Ficamos lá por um dia. Conselho: não escolha apartamento por impulso, como eu fiz. Tive que subir e descer com minhas malas por degraus que pareciam infinitos, além de gerar um super incomodo para a dona que tinha alugado para mim. Liguei no outro dia e disse que tava me mudando. Ela não ficou feliz, mas devolveu o que eu já havia pago: uma fianza, que é o mesmo valor do aluguel, que você deixa como garantia; e o equivalente a uma semana de aluguel.

Conseguimos um outro piso bem melhor e mais barato, mas que não é tão perto da Universidad. Estamos a uns 13 minutos da Universidad (andando, claro). O que não é ruim, já que a cidade é histórica, linda e minúscula. Você anda 30 minutos e já cruzou Valladolid todinha (mas que falta faz o meu carro!). Então, bolha no pé é bobeira. Se agarra no band-aid e vai! To fazendo exercício a pulso. Quem diria...

Os horários na Espanha são bem diferentes e a noção de manhã, tarde e noite é completamente estranha pra mim. A manha é das 9h até as 14h. Nesse período tudo funciona normalmente. Repartições públicas, secretarias da Universidad, bancos, correios e mais algumas coisinhas funcionam APENAS neste horário. Então, é bom se organizar pra fazer tudo que precisa durante essas horas. Das 14h às 17h acontece a siesta. TUDO fecha! Ninguém circula pela cidade e fica aquele silêncio estranho, sabe? É a hora do almoço e do descanso e eles levam super à sério. Então a siesta pra mim é tipo uma pegadinha. Não to acostumada a isso, então ainda me pego organizando meu dia sem considerar essa pausa incoveniente. Nada feito.
A tarde começa às 17h (se você também está se perguntando, eu não sei como classificar essas três horas de siesta nem como manhã nem como tarde... falo Buenos dias ou Buenas tardes de acordo com meu humor... hahaha) e vai até as 21h. As lojas voltam a abrir às 17h e só fecham as 21h ou mais tarde.

Então quando digo que minhas aulas são de 17h às 21h, todo mundo fala “aaah, aula à tarde, ne?!” e eu sempre tenho vontade de explicar que “ei, não, tarde é das 12h às 17h59! Minhas aulas são à noite!”. Mas é batalha perdida. E a noite começa depois das 21h e vai até quando você tiver fôlego. Ô coisa que o tal do espanhol gosta é a tal da festa, viu? Acho que passaram até dos brasileiros nesse quesito, acredite se quiser.

Domingo aqui é sagrado e NADA abre. Exceto por uma mini lojinha de conveniência/padaria que fica bem do lado da minha (nova) casa. Amém! Se não fosse por ela, ia depender dos amigos para comer. Não tem isso de restaurante abrir, não, minha gente. Ou você cozinha, ou faz um jejum forçado.
Além de festa, os vasolitanos gostam mesmo é de um café. Tem uns lugarzinhos legais pra se tomar um café ou uma cerveja por toda a cidade. São muitos mesmo! 

No mais, quem me disse que Valladolid era cidade de estudante, estava enganado. Acho que mais de 50% da população da cidade é de idosos. Estão em todas as praças e bares da cidade. Tenho achado Valla tão romântica por conta dos inúmeros casais de velhinhos andando de mãos dadas. Uma fofura mesmo. Acho que vou ser desse tipo quando tiver meus 70 anos... né, mor?! <3

E quanto ao clima... essa primeira semana foi assim: muito frio de manhã (daqueles que dá vontade de botar luva), calor à tarde e temperaturas amenas à noite. Então não posso reclamar. Mas já soube que a partir do dia 13, as temperaturas caem e o inverno, realmente, começa. Ai Ai!

Fora isso tenho feito muita coisa, mas nada de lazer por enquanto. Muita burocracia pra resolver. Muito papel pra deixar tudo certo e MUITA caminhada por essa cidade de meu Deus. Além das aulas e das aventuras na cozinha. Mas esse fim de semana, vou conhecer Valla como turista e ai posto fotos (percebi que tenho beeeeem pouquinhas até agora).

Ps: Perdoem a falta de fotos. A internet roubada do vizinho e a falta de tempo não permitiram, mas juro que vem foto por aí!
Saudade ta sobrando. Um beijo!!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Chegou o dia!

Depois de tanto tempo de ansiedade preparação e alguns contratempos, chegou a hora de fazer meu Mestrado e conhecer a Europa!

Tonight is the night que eu me despeço do Brasil, seguro o choro (até entrar no portão de embarque) e começo essa nova fase. Mas a história dessa viagem começa há dois anos, quando minha  chefe/madrinha  me deu a chance de realizar tudo isso. É assim, tenho essa sorte, desde que me entendo por gente, de achar alguém realmente bom e disposto a me ajudar. Sempre encontrei padrinhos durante a vida que facilitaram as coisas pra mim. Veja, comecei a saga quando tinha 15 anos e decidi que tinha que fazer intercâmbio de qualquer jeito. Fui apadrinhada pelo Rotary, na figura de tantas pessoas importantes: meu avô, rotariano convicto do Rotary Clube de Olinda, Max Rose, conselheiro do Doylestown Rotary Club que me recebeu na Pennsylvania, EUA e minhas duas famílias: a família de sangue, aqui no Brasil, e a família que adotei como minha, os Magee nos Estados Unidos.

Eu tinha 16 anos quando fui sozinha, sozinha pros Estados Unidos. J-u-r-a-v-a que meu inglês arrasava, que eu ia ser a estrela da minha High School (sonhava que ia ensinar samba a todo mundo e ia virar tipo musa de escola de samba do meu distrito escolar, confesso...), arrumei minhas DUAS malas de 32kg e embarquei rezando pra tudo dar certo. E deu. Mas não sei se daria tão certo se não tivesse sido apadrinhada por tanta gente.
Despedida no Aeroporto, em 19 de agosto de 2005. To linda? Que dó!
Mas enfim, a ideia de estudar na Universidad de Valladolid, na Espanha, surgiu da minha chefe/madrinha/mãe/tia, como ela se autodenomina. E isso foi há exatos dois anos, numa fase meio complicada da minha recém-solteirice, leia-se dor de cotovelo mortal. Então a notícia da possibilidade desse projeto dar certo foi como um sopro de ar puro. Me apeguei na ideia dessa viagem e fui passando dia após dia até chegar aqui.

Quando decidi que ia mesmo, não tinha ada que me segurasse aqui além da minha mãe e do meu irmão. Então não tinha o que questionar. Eu ia e ponto final. Só que como nada na vida é tão fácil assim, um monte de coisa aconteceu que me fez questionar se era isso mesmo que eu queria. Na verdade, o que eu mais me pergunto há alguns anos é "o que eu quero fazer da vida?" e, sinceramente, espero descobrir esse ano.


Hoje, tenho tanta coisa que me prende aqui, graças a Deus. Mas, mesmo assim, depois de tanto dilema, questionamento e agonia, eu me peguei na vontade que eu sempre tive de estudar fora de novo e de conhecer a Europa e lá vou eu. O que existe é de verdade e eu volto jaja, juro.

Comecinho <3


Hoje à noite embarco em um voo direto para Madrid (obrigada, Iberia!) com outras meninas que vão na mesma situação que eu. Mas apesar de não ser iniciante nisso de viajar e passar um tempo fora, a situação agora é diferente. Vou morar sozinha (isso inclui cozinhar, lavar e passar - que dó, que dó, que dó!) em uma cidade universitária, em um país cujo idioma eu desenrolo mas não tenho fluência. Viu que eu to muito mais humilde do que eu era aos 16?

Então esse blog vai servir para eu tagarelar sem fim e sem compromisso. Quero falar da vida na Espanha e quero deixar o registro, porque sei que um ano passa voando e jaja eu to falando com nostalgia desse tempo! Espero dar algumas dicas pra quem esteja na mesma situação que eu. Senti falta de umas diquinhas práticas do tipo: qual cia de trem ou de ônibus que faz o trajeto Madrid-Valladolid, que plano de celular devo contratar, etc. O Google é mesmo um pai, mas as informações desencontradas pra quem é super ansiosa por natueza as vezes so embaralham ainda mais nossa cabeça.

Então vamo lá, ta começando!