E eu que pensei que as coisas seriam tranqüilas hein?! Ai ai, tolinha. Enfim, consegui um tempo pra escrever sobre esses primeiros dias de puro banzo caos! Mas primeiro de tudo, as coisas estão indo bem e eu estou com muita saudade levando!
Bom, a viagem começou com aquela dor no peito da despedida, mas fiz questão de fazer com que tudo fosse rápido, assim não se sofre de prestação. Entrei na sala de embarque chorando como um bebê, nada além do esperado. Já na minha passagem pela Polícia Federal de Recife, me perguntaram um milhão de coisas do tipo: destino da minha última viagem internacional, data, em que aeroporto eu cheguei no Brasil, enfim, não sei qual foi o critério pra me fazer a sabatina já que ninguém mais passou por isso. Ou eu sou muito muito parecida com uma bandida procurada ou então eu dei a sorte (oi?) de receber mais atenção. De qualquer forma, passei no primeiro teste. Ponto pra mim!
Ai vem o capítulo “Iberia”. Jurei que era um super avião, com televisãozinha individual e tudo mais... só pra ter uma grande decepção. Avião velho, comissários não muito simpáticos (sobre isso falo jaja no capítulos “Espanhois”) e banheiro estilo cabine química de show. Entonces, depois de uma hora de atraso por problemas técnicos (ui!) decolamos e a viagem de 07h30 foi tranquila. Mas não preguei o olho um só segundo. Passei o vôo com uma alergia daquelas e a cabeça foi longe... Na chegada ao Aeroporto de Madrid (enorme!!!!) mais uma espera para taxiar até que finalmente chegamos.
O Aeroporto Barajas em Madrid, é, realmente, enorme, mas não tem porque se preocupar. É tudo muito bem sinalizado e caso você seja daqueles que não se liga em placas, basta seguir o fluxo. Garanto que não se perde. Logo na saída do vôo se passa pela primeira checagem de passaporte pela PF da Espanha. Faz uma cara bonitinha, capricha no “Buenos dias” e ya está.Passou. Eles raramente perguntam alguma coisa a alguém. Daí você segue o fluxo e chega na alfândega. De novo, basta rezar pra não ser o escolhido. O cara na minha frente passou por um questionário que Deus me livre. Pra mim só sobrou o bom e velho Hola, Señor. Buenos dias e pronto: passaporte carimbado! Não tem problema com bagagem, a não ser que você entre na fila de quem tem alguma coisa a declarar. Se não tem nada a declarar, o portão de saída é enorme e lá vai você, feliz na Espanha.
Tivemos a sorte de ter gente nos esperando já no Aero, que nos trariam para Valladolid. Sunamita e Phillipe são estudantes brasileiros que também têm bolsa do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação e já estão aqui há alguns anos fazendo o curso de Engenharia Química. Então, de Madrid para Valla você tem duas opções: pega um ônibus no aeroporto mesmo que vai te trazer direto para Valladolid. Custa em torno de 12,00 Euros. A vantagem é: você não tem que arrastar sua mala por canto nenhum. Entrou, sentou, chegou. O problema é que você só chega 3 horas depois. Como pra mim, inquieta por natureza, esperar 3 horas sentada, tendo um monte de coisa pra resolver é bem impossível, eu resolvi pela segunda opção. Taxi para a estação Chamartín e de lá trem para Valla. Fomos de Avant, a passagem custou 23,70 Euros e a viagem durou 1 hora. Pode comprar passagens no site da Renfe.O trem é bem rápido, faz uma única parada de cinco minutos em Segovia, as poltronas são mais confortáveis que as do avião e o banheiro para deficientes (mas todo mundo usa, ta?) parece uma nave espacial.
Dai quando chegamos em Valla, pegamos um taxi par o Hostal em que ficamos. Pelo que entendi, Hostal é uma coisa entre Hotel e Albergue. O nosso, Hostal Paris, estava mais para Hotel. Indico! O quarto que ficamos é bem pequeno mas é como quarto de hotel mesmo. Bem limpo, camas confortáveis e banheiro limpinho e bom. Super bem localizado no centro da cidade, teve como ponto contra o fato de não oferecer café da manhã. A diária por noite, por pessoa, ficou em volta dos 25 Euros. Staff simpático e disposto a ajudar gente perdida. Yay!
Tomamos um banho, deixamos as malas e fomos bater perna. Eu, Renata (compli) e Phillipe. Paramos para almoçar Kebab, uma comida turca bem comum por aqui. Escolhi o “modelo” de frango com cordeiro, tirei foto fazendo kebab e ganhei batata frita de cortesia. Paguei 5 euros. De lá fomos conhecer alguns pontos da cidade e pegar os números de alguns pisos (apartamentos). Cheguei em Valladolid por volta das 14h e já às 17h tive a minha primeira aula, o que merece um parágrafo a parte.
A Universidad em que vou estudar é l-i-n-d-a. Minha primeira aula foi de um Módulo de Introdução a Economia. Balela. Já tinha visto tudo na Facul. Então concentrei no espanhol SUPER rápido do professor. Jesus, não pode falar mais rápido não?! Deram o play nesses espanhóis e eles so param de falar quando estão sem ar. Juro como eles tem a habilidade de falar 50 palavras em 3 segundos. Incrível. Então lá estava eu, prestando muita atenção pra pegar o espanhol do professor, quando vem aquele sono incontrolável, sabe? O espanhol virou música de ninar, tentei prestar atenção em qualquer coisa, no quadro, no chão, no papel na minha frente, nas minhas mãos, mas os olhos estavam daquele jeito que se fecham quando você dá a menor brecha. Comecei a escrever qualquer besteira pra ver se voltava a ter controle sobre mim, mas o corpo tava pedindo arrego. Dormi Pesquei enquanto escrevia uma frase, que ficou sem nenhuma lógica, claro. Gente? Ai, depois que pesquei, o professor deu uma risadinha. Nunca vou saber se foi porque me viu pescando ou se tinha feito uma piadinha e eu perdi. Que seja. Acabou a aula dele e veio a segunda professora, do módulo de Introdução a União Europeia. Se eu achava que o Prof. Jesus (sim, o nome dele é esse mesmo) falava rápido, essa daí (cujo nome ainda não consegui decobrir... veja bem...) tinha tomado arrebite. A criatura falou mais de UE do que eu já havia visto na minha vida toda. E olhe que eu tive uma cadeira na Facul só pra isso... anotei feito louca e o sono fez o favor de sumir.
A aula acabou às 21h. Nessa altura, eu tava só o pau da placa. Mortinha da Silva. Dormi lindamente pra acordar as 08h do outro dia e encontrar um apartamento pra ficar.
Ô coisa que deixa a pessoa aperriada é isso de não ter um lugar certo pra ficar, viu? Valladolid é cidade universitária, e recebe MUITOS estudantes estrangeiros, então sempre tem anúncio de piso para alugar. Pegamos um monte desses e ligamos e ligamos. No fim do mês de setembro, as opções já são bem menores, pois a maioria dos estudantes já chegou aqui em agosto. Então estávamos com mais um ponto contra. Visitamos 3 pisos e, de impulso, resolvemos ficar em um. Quando vi pensei que era bom, mas não sei onde estava com a cabeça. O piso era muito bem localizado, a 3 minutos da Universidad, mas estava no 4º andar de um prédio sem elevador, que fica em cima de vários bares. Dois dos quartos não tinham calefación, o banheiro tava meio acabado, as coisas da cozinha não eram láááá uma Brastemp. Além de tudo, os quartos estavam bem caros. 195 euros + todos os gastos de luz, água, gás, etc. Ficamos lá por um dia. Conselho: não escolha apartamento por impulso, como eu fiz. Tive que subir e descer com minhas malas por degraus que pareciam infinitos, além de gerar um super incomodo para a dona que tinha alugado para mim. Liguei no outro dia e disse que tava me mudando. Ela não ficou feliz, mas devolveu o que eu já havia pago: uma fianza, que é o mesmo valor do aluguel, que você deixa como garantia; e o equivalente a uma semana de aluguel.
Conseguimos um outro piso bem melhor e mais barato, mas que não é tão perto da Universidad. Estamos a uns 13 minutos da Universidad (andando, claro). O que não é ruim, já que a cidade é histórica, linda e minúscula. Você anda 30 minutos e já cruzou Valladolid todinha (mas que falta faz o meu carro!). Então, bolha no pé é bobeira. Se agarra no band-aid e vai! To fazendo exercício a pulso. Quem diria...
Os horários na Espanha são bem diferentes e a noção de manhã, tarde e noite é completamente estranha pra mim. A manha é das 9h até as 14h. Nesse período tudo funciona normalmente. Repartições públicas, secretarias da Universidad, bancos, correios e mais algumas coisinhas funcionam APENAS neste horário. Então, é bom se organizar pra fazer tudo que precisa durante essas horas. Das 14h às 17h acontece a siesta. TUDO fecha! Ninguém circula pela cidade e fica aquele silêncio estranho, sabe? É a hora do almoço e do descanso e eles levam super à sério. Então a siesta pra mim é tipo uma pegadinha. Não to acostumada a isso, então ainda me pego organizando meu dia sem considerar essa pausa incoveniente. Nada feito.
A tarde começa às 17h (se você também está se perguntando, eu não sei como classificar essas três horas de siesta nem como manhã nem como tarde... falo Buenos dias ou Buenas tardes de acordo com meu humor... hahaha) e vai até as 21h. As lojas voltam a abrir às 17h e só fecham as 21h ou mais tarde.
Então quando digo que minhas aulas são de 17h às 21h, todo mundo fala “aaah, aula à tarde, ne?!” e eu sempre tenho vontade de explicar que “ei, não, tarde é das 12h às 17h59! Minhas aulas são à noite!”. Mas é batalha perdida. E a noite começa depois das 21h e vai até quando você tiver fôlego. Ô coisa que o tal do espanhol gosta é a tal da festa, viu? Acho que passaram até dos brasileiros nesse quesito, acredite se quiser.
Domingo aqui é sagrado e NADA abre. Exceto por uma mini lojinha de conveniência/padaria que fica bem do lado da minha (nova) casa. Amém! Se não fosse por ela, ia depender dos amigos para comer. Não tem isso de restaurante abrir, não, minha gente. Ou você cozinha, ou faz um jejum forçado.
Além de festa, os vasolitanos gostam mesmo é de um café. Tem uns lugarzinhos legais pra se tomar um café ou uma cerveja por toda a cidade. São muitos mesmo!
No mais, quem me disse que Valladolid era cidade de estudante, estava enganado. Acho que mais de 50% da população da cidade é de idosos. Estão em todas as praças e bares da cidade. Tenho achado Valla tão romântica por conta dos inúmeros casais de velhinhos andando de mãos dadas. Uma fofura mesmo. Acho que vou ser desse tipo quando tiver meus 70 anos... né, mor?! <3
E quanto ao clima... essa primeira semana foi assim: muito frio de manhã (daqueles que dá vontade de botar luva), calor à tarde e temperaturas amenas à noite. Então não posso reclamar. Mas já soube que a partir do dia 13, as temperaturas caem e o inverno, realmente, começa. Ai Ai!
Fora isso tenho feito muita coisa, mas nada de lazer por enquanto. Muita burocracia pra resolver. Muito papel pra deixar tudo certo e MUITA caminhada por essa cidade de meu Deus. Além das aulas e das aventuras na cozinha. Mas esse fim de semana, vou conhecer Valla como turista e ai posto fotos (percebi que tenho beeeeem pouquinhas até agora).
Ps: Perdoem a falta de fotos. A internet roubada do vizinho e a falta de tempo não permitiram, mas juro que vem foto por aí!
Saudade ta sobrando. Um beijo!!